Considerações preliminares:
– Este anteprojeto é uma sugestão da Trade Mix para ser utilizada como ponto de partida e orientação para os profissionais envolvidos nos Projetos de Praias Acessíveis local, pois relaciona premissas básicas para o sucesso da iniciativa.
– Todas as sugestões de layouts, equipamentos, imagens ou opiniões aqui demonstradas são baseadas em pesquisas e experiências da nossa empresa; não consistindo, sob nenhuma hipótese, em requisito, obrigação, padrão ou norma técnica a ser seguida.
– As sugestões/recomendações abaixo devem ser adaptadas, alteradas ou modificadas de acordo com os interesses/objetivos do cliente e/ou limitações do projeto.
I – APRESENTAÇÃO
O projeto sugerido para Praias Acessíveis visa permitir que pessoas com deficiência e pessoas com mobilidade reduzida, moradores e visitantes, possam usufruir do patrimônio natural da cidade, em condições ideais de autonomia, conforto e segurança.
II – JUSTIFICATIVA
Acessibilidade é condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. Sem acessibilidade, essas pessoas não podem ser autônomas para usufruir os bens, serviços e espaços existentes na sociedade. Ou seja, a falta de acessibilidade alija das múltiplas dimensões da vida em sociedade uma parcela considerável da população brasileira, considerando apenas àquelas que portam alguma deficiência em caráter definitivo.
Indiscutivelmente, atender à esse novo mercado representa não apenas uma oportunidade de negócio, mas um dever social. Essa falta de acesso a determinados locais representa um entrave à socialização de indivíduos, elevação do seu nível cultural, de sua qualidade de vida, limitando seu direito ao lazer e a locais utilizados para o turismo; induzindo ao isolamento social.
Tais fatores constituem elementos de importância fundamental para medir o desenvolvimento de um país.
A importância desse mercado deve ser considerada tendo em vista que, segundo estimativas feitas ONU e por órgãos como a OMS – Organização Mundial de Saúde, mais de 14% da população mundial é portadora de algum tipo de deficiência. Ou seja, mais de 1 bilhão de consumidores.
Não reconhecer o direito dessas pessoas como consumidoras é uma forma de agir pouco inteligente, à medida que representam uma parcela da população que cada vez maior e com mais acesso à renda. Satisfazer os anseios desses consumidores consiste numa oportunidade de transformação social e de incremento de negócios, contribuindo para a abertura de novas perspectivas para oferta de serviços e produtos para a construção de uma sociedade mais humana.
Nesse cenário, abre-se uma excelente oportunidade para o Turismo Acessível.
Esse segmento do turismo é, na verdade, um nicho de mercado pouco explorado no Brasil, mas que vem recebendo bastante atenção em alguns países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá; onde o turismo é a principal ou uma das principais fontes de receitas do país.
Para que um destino turístico seja competitivo é necessário que este defina uma estratégia de diferenciação para gerar uma vantagem competitiva, fortalecendo sua imagem no mercado turístico e, desta forma, atender ou superar as expectativas dos consumidores.
A acessibilidade é “A” estratégia de diferenciação para geração de competitividade.
Usando-a, o destino evita o “lugar comum”, enaltecendo vantagens comparativas genéricas e sem valor agregado, como “praias mais limpas” ou “as mais belas praias” ou “lugares paradisíacos”, etc.
A acessibilidade cria vantagens competitivas reais, que permitirão ao destino se diferenciar de fato dos seus concorrentes por um longo prazo e desenvolver certas características, em seus produtos e serviços, que dificilmente poderão ser copiadas ou igualadas.
III – PRINCIPAIS OBJETIVOS
- Promover acessibilidade às praias marítimas e fluviais, lazer, esportes e turismo para as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
- Sensibilizar a população local e os turistas para os direitos das pessoas com deficiência e facilitar a inclusão social.
- Transformar a adaptação dessas praias em ferramenta de estímulo ao fluxo de turistas brasileiros e estrangeiros, divulgando e promovendo os benefícios e facilidades adquiridas.
- Incrementar a economia local de serviços e produtos e as cadeias produtivas relacionadas ao turismo, através de adaptações arquitetônicas baseadas nas normas vigentes para atender às necessidades da clientela com deficiência ou mobilidade reduzida.
- Recolher informações que permita produzir diagnósticos de caracterização local das pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida, identificar os principais problemas existentes e promover soluções adequadas.
IV – PREMISSAS PARA UM BOM PROJETO: OS 10 MANDAMENTOS
Para merecerem a designação de praias acessíveis, segundo nosso ponto de vista, há que satisfazer um conjunto de requisitos. Alguns imperativos, e outros, desejáveis:
- Transporte:
- Transporte público acessível ao local.
- Estacionamento ordenado próximo ao acesso principal, respeitando todas as dimensões previstas na norma vigente.
2. Acesso:
- Calçadas e rampas de acesso às praias corretamente dimensionadas, corrimão e proteções adequadas onde necessário.
- Inexistência de barreiras arquitetônicas ou paisagísticas nas calçadas e acessos.
- Acesso fácil para pedestres.
3. Pessoal:
- Treinamento de pessoal especializado para atender às necessidades do projeto.
- Gerenciamento do projeto.
4. Segurança:
- Posto de salva-vidas acessível.
- Existência de serviço de primeiros socorros no Posto acima ou próximo, devidamente sinalizado e acessível.
- Inexistência de conflito no uso dos espaços públicos da areia da praia.
5. Informação e Sinalização
- Todos os espaços devem conter informações gerais, educação ambiental e sinalização adequada para todos os tipos de deficiência.
6. Apoio e Estar
- Sanitários públicos adaptados e acessíveis.
- Áreas de apoio e estar, cobertas e descobertas, para transferência dos deficientes para as cadeiras anfíbias, para bate-papo, prática de esportes e jogos.Área para estacionamento das cadeiras e guarda de equipamentos e materiais esportivos.
7. Areia
Rotas acessíveis nas areias com a Esteira Trade Mix Acessibilidade para:
- Acesso às tendas/estar e zona de banhos com as cadeiras anfíbias;
- Sanitários;
- Primeiros socorros;
- Bares e restaurantes;
- Estacionamento e calçadas;
- Área de esportes e apoio.
8. Esportes e Lazer
- Piscinas infantis, bóias, brinquedos, cadeiras, tendas e guarda-sóis.
- Área para prática de esportes e equipamentos esportivos.
9. Higiene e Meio Ambiente
- Chuveiro ou mangueira de água doce para limpeza de equipamentos e banhos pós-praia.
- Lixeiras seletivas ou sacos plásticos com orientações de não deixar lixo na praia.
10. Alimentação
- Rotas acessíveis a bares e restaurantes, com mobiliários adaptados e cardápios em braile.
- Fonte de água potável devidamente protegida.
V – FALHAS MAIS COMUNS NOS PROJETOS E RESPECTIVAS CONSEQUÊNCIAS
Falha: Projeto contempla apenas uma via no acesso principal à praia.
Consequências: um bom projeto sempre deve prever a condição mais desfavorável:de acordo com o tráfego/número de usuários do local e considerando os horários/dias de pico. Com apenas uma via de acesso haverá “engarrafamento” de cadeiras de rodas, consequentemente filas, dificuldades no acesso e até impossibilidade no uso de mão e contramão simultaneamente.
Falha: Projeto foca apenas o banho de mar.
Consequências: nem todas as pessoas que frequentam as praias entram no mar/lagoa/represa para banhos. Esse índice é ainda muito menor com as pessoas deficientes ou com mobilidade reduzida; sendo em torno de 10 a 20% dos usuários, pelas nossas pesquisas e experiência. Logo, focar um projeto apenas neste item gerará um projeto deficiente e, consequentemente, sujeito à críticas, perda de credibilidade e vida curta.
Falha: Projeto não contempla tendas/barracas para áreas de apoio.
Consequências: a área de apoio/estar é a principal parte nesse tipo de projeto. Ninguém vai às praias unicamente com a intenção de banho de mar. Salvo exceções. A regra válida é lazer na praia: prática de esportes e jogos, degustação de alimentos e bebidas e, principalmente, muito bate papo e socialização.
Falha: Projeto não contempla rota acessível sob as barracas, para prática de esportes, sanitários, bares e acessos em geral..
Consequências: não contemplar pisos acessíveis sob as barracas/tendas e rotas aos demais locais da infraestrutura, é começar um projeto de acessibilidade de forma deficiente e inacessível. Após todo o trabalho da pessoa com deficiência / mobilidade reduzida, familiares e acompanhantes para chegarem no local e ter acesso às areias da praia; no fim do acesso da rota principal, a cadeira de rodas vai para onde, se não resta mais nenhuma rota acessível? Para simples visualização: Imaginem 5 (cinco) cadeirantes chegando simultaneamente numa praia com rota única – supondo que esta praia tenha 3 cadeiras anfíbias -, no mínimo, haverá uma fila sobre a esteira, impedimento de manobras de retorno e confusão geral na rota acessível, pois todos ficarão rigorosamente ilhados na esteira e sob o sol, aguardando desocupar as cadeiras anfíbias. Sem independência de circulação, não existe praia acessível.
Falha: Local inadequado para implantação do projeto.
Consequências: o planejamento do projeto deve escolher o ponto da praia de forma a otimizar o aproveitamento da infraestrutura local, caso o projeto não contemple obras de adaptação para acessibilidade no entorno. Lembrar que a infraestrutura deve ser adaptada para os deficientes e pessoas com mobilidade reduzida, e isso inclui: transportes, estacionamentos, acessos diversos, sanitários, segurança, bares e restaurantes, etc.
Considerações e recomendações finais:
- Se houver ducha ou mangueira, o projeto deverá observar a possibilidade do reaproveitamento das águas ou sua ligação com as galerias públicas;
- Usar materiais e técnicas que em sua produção ou aplicação tenham a menor emissão de CO2, visando resguardar o meio ambiente;
- Redução do lixo antes, durante e depois do projeto. Encaminhamento dos resíduos para reciclagem com implantação de coleta seletiva;
- Optar por tecnologias que utilizem matérias recicláveis/reciclados e com processos de construção/montagem racionais, evitando perdas e desperdícios;
- Observar os elementos naturais do terreno, como árvores, fontes e topografia para extrair o máximo dos recursos naturais no projeto, tendo sempre o cuidado para preservá-los;
- Observar se o projeto não gerará poluição sonora e visual no entorno, proporcionando implantações compatíveis com o ambiente local e adequada à paisagem circundante;
- Dar preferência pelos equipamentos/materiais que gerem o menor custo de conservação e manutenção possíveis;
- Propor um desenho universal e utilização racional da infraestrutura existente, evitando sobrecargas ou subutilização.


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